As rádios populares da Rede Pampa

Renata Scheidt

Eldorado, 104.1, Caiçara, Rádio Pampa e Continental, estas são as chamadas rádios populares, que proporcionam o grande contraste de estilos musicais que satisfazem os ouvintes

Com o intuito satisfazer as preferências da população, o Rio Grande do Sul possui rádios que atendem a diversos gostos, dentre eles as notícias do dia-a-dia até mesmo o funk que toca na madrugada ou o programa de descontração que acontece no horário do almoço. Estas são as chamadas rádios populares, com estilos musicais que arrebatam bastante audiência com diversos sucessos, principalmente os que estão nas novelas, havendo a influência da televisão no rádio.

A rádio Eldorado está no ar deste o dia 15 de Março de 1990, com 70% de sua audiência em seu segmento popular jovem de até 24 anos. Antigamente tocava apenas pagode, axé e samba de raiz. Hoje, o funk é o novo estilo musical que toma conta da rádio, junto com o pagode: “Na realidade, a rádio hoje é líder de audiência com o funk, que virou fenômeno no Rio Grande do Sul e foi com isso que a rádio disparou. Conforme os números do Ibope, o programa mais ouvido do FM em segundo lugar é o ‘Bonde da Eldorado’, entre as 13h e 15h”, conta Walmir Filho, radialista da Eldorado há 15 anos.

Com o propósito de tocar 100% de música sertaneja, a rádio 104.1 surgiu há 25 anos. Antigamente ouviam-se apenas misturas de músicas nacionais, como por exemplo, Roupa Nova. Tudo isso para pessoas com mais de 35 anos. Hoje o público alvo ainda é o mesmo, porém, com outro modo de pensar: “O critério é acreditar que a música var ter apelo comercial e que os ouvintes gostem. A rádio 104.1 é líder de audiência há seis anos segundo as pesquisas do Ibope e isso se deve ao apelo pela música sertaneja, junto à forma com a qual a rádio é feita, com bastante interatividade”, explica Marcelo Garcia, locutor da Rádio 104.1 há quase 10 anos.

Entre as rádios AM, a rádio Caiçara que foi fundada em 1º de Junho de 1966 e possui frequência AM780, é uma das três rádios mais ouvidas de Porto Alegre e arredores, pois possui uma interatividade que poucas rádios AM oportunizam para a comunidade. “O serviço é prestado da rádio diariamente para o seu ouvinte entretendo, informando, prestando serviços de utilidade pública e incentivando a solidariedade, servindo de elo para a união de muitos ouvintes em eventos e encontros. Tudo isso regado de muita música, é claro”, declara César Alberto Manoel, locutor e apresentador na Rádio Caiçara. Além de fornecer informações, as músicas sobressalentes são da jovem guarda, as românticas da década de 1980 e 1990, bastante sertanejo da década de 1990 e Roberto Carlos, com programa exclusivo de grande audiência ocorrente todos os sábados às 19horas, chamado “A Hora do Rei”.

Outra rádio com caráter informativo é a rádio Pampa, que neste ano de 2014 passou do AM 940 para o FM 96.7, frequência que anteriormente pertencia à rádio Eldorado. “Na programação da rádio Pampa, música não toca, mas tem o que chamamos de ‘drops musicais’, que colocamos no ar quando é aniversário de algum artista famoso, ou quando morre algum famoso, nós ilustramos a notícia com aquele ‘drop’, mas são alguns segundos”, conta Dhani Phita, locutora da rádio.


Estilo musical X preconceito

Sertanejo, funk e pagode são estilos musicais não muito bem vistos e aceitos por muitas pessoas. Mas ao tratarmos de preconceito conforme o gênero musical que estas rádios proporcionam aos ouvintes, o locutor da Rádio Eldorado Walmir Filho declara que apesar de dizerem que o funk é destinado as classes C, D e E, a rádio possui um grande público representante das classes A e B, tendo 36% da audiência da classe média-alta. “O funk foi elitizado assim como o pagode, que em uma época também havia uma discriminação em relação a ele. Porém, começaram a surgir as grandes bandas e pegou uma classe social um pouco mais alta”, complementa.

Já o locutor da rádio 104.1 Marcelo Garcia, comenta sofrer preconceito das próprias pessoas que trabalham no segmento de rádio que, segundo ele, referem-se às rádios populares como se fossem ‘chinelas’. “Tudo é uma questão mercadológica, se eu quiser ouvir as músicas que eu gosto eu vou pra casa ouvi-las. Não sou eu que devo gostar da nossa proposta musical, mas sim os ouvintes e isso é indiferente do tipo de música que tocar”, completa.


Eventos promovidos pelas rádios
 

Outra atração das rádios populares são os eventos. Segundo Walmir Filho, a rádio Eldorado promove eventos em forma de shows. Geralmente cerca de dez por ano. “A rádio tem seus eventos em parceria com produtoras, já fizemos até com artistas internacionais e também com grandes artistas do Brasil. Geralmente são bandas de pagode e alguns artistas de funk”, detalha.

A rádio 104.1 tem como ideal realizar no máximo dois eventos por ano. Em 2014, foi realizado um grande show com a dupla sertaneja Jorge e Mateus no Estádio do Zequinha, para comemorar seu aniversário. Segundo o comunicador Marcelo Garcia, o evento foi um grande sucesso. “O show ocorreu com maior força da rádio e foram vendidos todos os ingressos. Para ter uma noção, outras rádios promovem grandes eventos com mais de dez atrações numa noite para serem colocadas 40 mil pessoas, a 104.1 promoveu show com uma dupla e colocou 25 mil pessoas em um evento”.

O objetivo da realização destes eventos é a divulgação das rádios em outros locais, que não sejam apenas no estúdio dentro da emissora, sendo assim uma forma de ampliação e faturamento da Rede Pampa. Além disso, as rádios levam aos ouvintes a ideia de os eventos acontecerem com os artistas de sua preferência, aqueles que a audiência gosta e costuma ouvir na própria rádio. Existem rádios que não promovem eventos, mas participam deles, que é o caso da rádio Pampa, um exemplo desta participação é na Feira do Livro, que conta com um estande da rádio no local.

Na rádio Caiçara os eventos surgem de uma forma diferente e curiosa, pois não são proporcionados pelos indivíduos que fazem parte da rádio ou pela empresa pertencente. Todavia, são os ouvintes que promovem confrarias ou encontros, mensalmente. Conforme César Alberto Manoel, este carinho é impagável: “É uma grande honra trabalhar em uma rádio que tem um público tão fiel e carinhoso, pois seguidamente recebemos visitar no estúdio com amigos, ouvintes trazendo guloseimas e quitutes. Este afago tão valioso é confirmado nas oportunidades que tenho de estar frente a frente com os ouvintes”.


Rádio Continental: sem operadores, apenas um computador
 

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Rádio Continental é automatizada com um computador programado há 15 anos para fornecer as músicas aos ouvintes. Foto: Renata Scheidt

A antiga rádio que fazia parte da Fundação Sogipa, chamada Sogipa FM, tinha sua programação diversificada, desde programas de turismo até mesmo de músicas alemãs. Porém, esta variedade acabou quando a rádio passou a pertencer à Rede Pampa de Comunicação, no dia 1ª de novembro de 1992, tendo seu nome modificado para rádio Continental.

Porém, desde o ano de 1999, a rádio Continental tornou-se automatizada, ou seja, funcionava sem o auxílio dos operadores e encontra-se assim até hoje, com apenas um computador programado para fornecer a programação. O motivo desta automatização foi relacionado a dois pontos de vista: um prático, pois a rádio estava menos sujeita a erros e o computador realiza as tarefas sozinho. Outro motivo é relacionado às despesas, pois os gastos com os salários dos operadores da rádio deixaram de existir. “No tempo dos operadores tínhamos que vigiá-los, pois sempre havia um operador que ia ao banheiro e deixava a rádio no ar com a música tocando até o final, ou falhando ao vivo ou até mesmo faltando”, conta Roger dos Reis, gerente de programação das rádios da Rede Pampa de Comunicação.

Todavia, o principal motivo não foi à economia de mão-de-obra e sim deixar a rádio mais séria, pois seu público predominante é adulto, com 70% de sua audiência com mais de 40 anos e 46% dela está entre as classes A e B. Além disso, o roteiro e a seleção musical são feitos pelo próprio Roger, é por isso só entram na programação músicas que atendam a este tipo de público. “Em primeiro lugar, procuramos tocar todos os sucessos dos anos 70, 80 e 90, pois 90% da programação são músicas antigas, 10% ou até menos são sucessos atuais, ou somente quando estoura algum sucesso, como por exemplo: ‘Happy, de Pharrell Williams’, que toca praticamente em todas as rádios”, complementa.

Além disso, o roteiro com as músicas, a chamada do jornal “O Sul” e a vinheta “Continental, o Som Nosso de Cada Dia” é feito pelo próprio Roger, tudo isso junto com o roteiro comercial, que entra no ar a cada 30 minutos.

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